Olá, pessoal!

"Todo homem tem direito de pensar o que quiser, de desenhar, de pintar, de cantar, de compor, de escrever o que ele quiser." (Raul Seixas - editado)

Espero que gostem do que vão ler aqui!
Darei o meu máximo, não sei se sempre, mas farei o possível! :)

26 de dezembro de 2010

2011, futuro ano velho!

E como estamos finalizando mais um ano, espero que em 2011 eu consiga atualizar o 'Nem tão incerta, nem nada." ao menos uma vez na semana. Haha! (detalhe: isso não é uma promessa!)
E, para esse post não cair na lista dos classificados como "chucros", um com grandes aspirações positivas para todos!
(escrito na noite do dia 24/12)




Conte uma piada, cante e se encante. 
Pense em uma pessoa, elogie quando achar necesário, esqueça de algum problema.
Saia sem destino, volte semcompanhia, pense no seu melhor.
Estude, leia, durma. Durma muito!
Trabalhe menos, compreenda mais, viva mais.
Faça uma pessoa sorrir, faça uma caminhada, faça cafuné até alguém dormir.
Faça amigos, faça a festa, faça um prato colorido.
Faça o bem, faça o melhor que puder, faça mais.

Porque um ano novo cheio de realizações faz muito bem.


Acreditem em seus sonhos, o futuro pertence à essas pessoas! ;)


(ana lívia)

22 de novembro de 2010

Daltonismo entre o gelo e o cinza.

 E o tom gelo do teto do meu quarto dá espaço para uma multidão de pensamentos.

Uma incessante vontade de deixar tudo e mudar de vida, de destino. Mudar o destino?
Aquela vontade de ir numa vendinha ao lado, me empanturrar de chocolate e sair satisfeita sem o medo da celulite aparecer em alguma parte do meu corpo.
Aquele medo de sair pelas ruas e encontrar mais uma daquelas crianças que passam fome pedindo aquelas moedinhas. As tão chamadas “esmolinhas”.
Uma vontade de ser homem. De não se preocupar com a marca que o varal deixa na camiseta ou, talvez, se a barba está feita ou não. Se o sapato se adéqua ao momento ou se ele está precisando de um pano com apenas uma agüinha.
E me pego preenchida daquele sentimento de querer estar sozinha no mundo. De fazer tudo que gosto, quando quiser e ir onde eu sempre sonhei. Sem se preocupar com nada. Nem ninguém.
E sem perceber já mudo meu pensamento praquela tigela com açaí, de 500ml. Com alguns adicionais, como a granola, a paçoca e a banana picadinha em rodelas. Me preenche, se muito e muito, claro!
E quando sinto a disposição em mim, lembro-me daqueles aparelhos na academia. Daquele ar de saúde do ambiente. Daquelas pessoas, na maioria, com papos interessantes e convincentes. E aquela vontade apenas passa.
Passa, além do mais, quando toca-se na porta pedindo para entrar. E aquela voz soa como receber um pisão no meio do pé com aquele salto fino.
- Posso entrar para conversarmos?
A vontade de dizer um NÃO arrebata! Mas para ela não. Essa pessoa merece, no mínimo, meus ouvidos.
- Sim, claro. Entre...

E o máximo que faço, é continuar olhando para o teto com aquele tom cinza e pensar, novamente, em novas besteiras cotidianas.




(ana lívia)

21 de novembro de 2010

Post de agradecimento.


Sim, eu confesso que estou bastante ausente. Mas não quero produzir algo que não valha a pena ler. Ou, que eu ao menos veja como tal.



Mas esse post será decicado, essencialmente, ao Jefferson Pita dono do Eu, você e o mundo., e também a Luce Mattos responsável pelo Comentários Desconcertantes, os quais me indicaram ao Prêmio Dardos. 


Vale a pena conferir o blog deles, galera!




Além dos dois, quero agradecer à Mayara que atualiza sempre o Recordando Palavras que me repassou um questionário a ser respondido posteriormente. O blog dela é ótimo e sempre deixa aquele gostinho de quero mais. Confiram!
Gostava de questionários quando tinha meus 12, 13 anos. Hoje, não me encontro muito dentro deles. Aí está o meu, com algumas perguntas abrangentes, mas que não tiram de mim muitas palavras.



1 - O que te levou a criar um blog? 

Ele foi criado para que eu pudesse me expressar, desabafar, melhor dizendo. E através dos contos aqui escritos, eu consigo isso. De forma discreta, mas objetiva.

2 - O que tira você do sério? 

Cinismo.

3 - Você tem alguma mania ou vício?

Mania de internet e de chocolate, mas pretendo(preciso) perdê-los, urgentemente.

4 - Qual a sua melhor lembrança?

Não existe a melhor, já que valoriza vários momentos simples, pessoas, e afins. Mas uma lembrança boa foi de quando vi meu nome na lista de aprovados para a faculdade. De quando vi meu pai chorar ao ver minha felicidade de ter ganhado um celular de aniversário. O qual estava dentro do meu bolo de 15 anos. Do período de transição entre saber que teria um filho e de sentir essa dimensão.

5 - Qual o seu maior sonho? 

Ser independente financeiramente e viajar, viajar e viajar. Sem ao menos me preocupar com o que encontrarei ao voltar.

6 - Se fosse um dinossauro, como se chamaria? 

Não tenho resposta para isso, haha!

7 - Qual personagem da sua infância gostaria de ser?

Personagem eu posso dizer que era a Sandy. Achava a voz dela linda e as músicas apaixonantes. o.O
Mas eu sonhava mesmo em ser atriz.

8 - Cite uma peça que não pode faltar no seu guarda-roupas e uma que jamais usaria.

Uma calça jeans não pode faltar e um blaser com ombreira jamais você encontrará nele.

9 - Um lugar que ama.

Minha casa ou qualquer praia com poucas pessoas, se possível, vazia.

10 - Que filme você amou e recomenda?

Sou péssima nisso. Mas o último que assisti e que gostei se chama “Refém do silêncio”, muito bom. Outros que indicaria “Tomates Verdes e Fritos” e “Doze homens e Uma sentença”.

11 - Qual último livro que você leu? 

É vergonhoso, mas isso aconteceu há tanto tempo que nem me arrisco a dizer, haha!

12 - Qual palavra te define? 

Autenticidade. 



(ana lívia)

13 de novembro de 2010

Apenas um conto.

Era uma tarde chuvosa e o meu celular implorava atenção. Me pedia para que atendesse. “Caramba, eu sentirei muito a sua falta! Não vou atender. Não, hoje não!”
Era a única coisa que ela pensava em seu quarto minúsculo. 
E o toque daquele aparelho mudara. Apenas um bip. Apenas uma mensagem.
“Eu preciso de você. Venha, eu te peço, novamente! Ass: seu amor.”
Chave do carro nas mãos. Carteira na bolsa e a bolsa no ombro. As chaves de casa a tomaria tempo demais ao procurá-las. 
E aquele sótão não era mais o mesmo. Solitário.

E lá se foi.
Aquele olhar inesperado de dor. Ela sentia que ele não queria, que doía. Mas era insegura. Pensava que ele pouco importava.
Aquele olhar de tristeza. Irrigado de lágrimas fez com que ela soltasse aquele abraço que tanto queria dar. E deu!
- Vamos?
- Sim, claro. – ela o respondeu.
Soou em tom tão baixinho de voz que ele a olhou, levantou a sobrancelha como uma forma de reafirmar a pergunta.
Ela deu aquela piscada cansada. Demorada. Triste. A qual apenas confirmava o convite.
No carro, lágrimas e sussurros. Aquele sussurro de dor. Era quase impossível segurar aquela vontade de gritar para o mundo. Mas nós conseguimos. Além da chuva batendo no vidro do carro, só se ouvia a dor.
Estação e aquela voz anunciando os horários do trem nos apunhalavam. Uma voz pausada e agonizante.
Caminhamos até a porta do trem. Ele com aquela mochila antiga. E linda. Mas, velha. Seu all star preto e básico já molhado. Seu jeans cobrindo além da meia, o cadarço e também a imundice dos seus passos. Camiseta branca com um desenho qualquer. Não me atentei aos pequenos detalhes.
Meu guarda-chuva nos cobria. Só a metade do corpo mesmo. Mas nós nem importávamos.
Não sei se era impressão, mas o céu tendia a escurecer. A cada passo estreito, rumo ao trem, uma nuvem a mais aparecia ainda mais carregada. De lágrimas, talvez.
Aquela despedida foi a pior de todas. Aquele silêncio foi o mais doído. Aquela perda foi a pior de todos os tempos.
E quem sabe, se eu tivesse resistido àquela mensagem tudo poderia estar diferente.
E tudo seria diferente. Até mesmo o final e a moral desse conto.




(ana lívia)

10 de novembro de 2010

E o medo.

Foi tão de repente. Inexplicavelmente e depois do beijo ele se vira e caminha. Ele se vai. Foi-se. E o amargo no peito adocicava minha boca. Era aquela vontade louca de correr e dizer “Não! Fica mais um pouco?”. Era um pedido que insistiu em permanecer na mente por um bom tempo. Mas me contive.
E o medo que senti naquele momento bagunçou tudo. Foi uma mistura de sentimentos. Quase que com a ajuda de um liquidificador. Mas, eu digo, quase!
Um sentimento ruim, mas que me revitalizava. Tinha vontade de ser sempre melhor que antes. Sempre mais disposta que o minuto anterior. Mais dedicada do que na tarefa anterior. Mais feliz. A cada dia. Muito mais feliz, a cada dia.
Uma humilde despedida. Um simples beijo. Aquele eterno abraço. Hum! Longo! Abraço. Eterno. Uma pessoa. Várias qualidades. Alguns defeitos. Muitos, eu sei. Mas são irrelevantes. Ao menos para mim, claro.
E aquele medo atrapalhou tudo. Meus planos e conquistas. Meus gostos e minhas escolhas. Meus prazeres e até mesmo meu sossego. Minha alegria e, juntamente, minhas tristezas.
Mas passou. Foi por um momento. Foi tão de repente.

E agora, eu só tenho medo de sentir, justamente, aquele medo.

1 de novembro de 2010

(parte 3 de 3)

Entre trancos e barrancos ela se esforçava para se manter acordada. Era mais forte que ela. Deveria ter bebido muito. Estava cansada, com sono. Afinal, seu dia havia sido o famoso ‘dia de cão’.
Ela relaxa e adormece. Talvez ele sentiria raiva dela. Poderiam curtir mais a noite. Mas não, ela era fraca. O momento que poderia ser um dos melhores entre eles, passaria em branco. E então, ela relaxa. E adormece.
Com o estômago pesado, o corpo doendo e a consciência ardendo ela despertava. Sono profundo. E lá estava ele. Do seu lado. Já eram 2h da tarde e ele respirava fundo. E ela já o amava. Idolatrava. Como poderia ser tão rápido?
- Ah, é o amor! – ela pensara em voz alta.
- Hum? – ele pergunta virando seu corpo para ela.
Assustada! Ela não podia desesperar. Ele não podia notar. Ela não podia gritar. Ele podia maltratá-la.
Seus olhos escuros e tenebrosos a causava medo. Seu corpo representando sua idade a enojava. Cinquentão? Não, ela tinha certeza que era mais do que aquilo!
Caramba, ela tinha apenas 19 anos e estava deitada com o ‘príncipe’ da sua vida! Ele era como um sapo, de tão baixo e gordo.
- Acho que vou embora. Preciso resolver um probleminha lá em casa. Mas, me passa seu celular? – ela queria que ele acreditasse que estava tranqüila.
- Não, linda. Por que a pressa?
- Preciso ir.
Procurou sua roupa e lá estava ele. Seu vestidinho jogado ao chão. Levantou, vestiu-se e pegou suas chaves.
Tchau, era única coisa que ela queria dizer. Adeus, era a única coisa que ela queria ouvir.
Mas não, ele foi atrevido. Quis dizer mais. Ele disse mais.
- Achei que tinha gostado da gente. Meu amigo foi buscar um café para nós. Não quer esperar? Ele gostou tanto de ter transado com você. Eu também, claro. Sem chances de um ‘bis’?
A risada que ele soltou depois de ter dito isso a desmoronou.
Como isso pôde acontecer?
Como ela não teria se dado conta de que estava em uma casa desconhecida?
O que pudera ter acontecido além de ter transado com os dois?
Seu caminho para a casa foi amargo. Amargurado por uma noite ‘perfeita’. Ou melhor, uma noite quase perfeita. Talvez seu vestidinho não fizera o sucesso que ela esperava. Pode ser que ela mude de atitudes ao sair de casa. Possivelmente ela deixaria de sair por um bom tempo. E seu gosto pela tequila, provavelmente, acabaria.
Isso porque ela não sabia que precisaria tanto do número do celular de um deles. O qual? Ela não sabia. Ela não imaginaria.


Sua faculdade estava pelos ares. Seu estágio também, consequentemente. Ela tinha apenas 19 e queria fazer tudo que uma universitária faz. Mas aconteceu tudo que alguma universitária não viveu. Ao menos que ela conhecia, não.
Afinal, enfrentar uma gravidez sozinha seria um tanto quanto difícil para ela.


                                                        FIM!

(ana lívia)

Observações:
- Pessoal, eu fiz um Twitter pra mim. Estou olhando, aos poucos, os donos dos blog's que possuem e estou seguindo. Se alguém tiver, me dê um alô. :)
- Perdão pela minha ausência, tanto no blog de vocês, quanto no meu!
- E quero agradecer a todos que passam aqui frequentemente! :)

29 de outubro de 2010

 (parte 2 de 3)
 
De porta em porta e o carro ia enchendo. As meninas do trabalho as encontrariam na porta da boate. Um lugarzinho bem comum entre elas. Separadas ou não, elas sempre acabavam indo pra lá.
Na fila, bastante gente bonita. Moços simpáticos, meninas elegantes e o som que vinha de dentro as deixavam ainda mais eufóricas. E na porta da bilheteria elas recebem a surpresa de que mulher beberia até 1h da manhã sem pagar nada. Aquilo era magnífico! Ela sorria por fora, mas gargalhava por dentro. Aquela noite seria A noite!
Primeiros passos que deram foram direcionados ao balcão. 
 

- Uma dose de tequila, garçom, por favor!
- Duas!
- Três!
- Não, uma para cada. Cinco doses, obrigada!




E papeavam enquanto o garçom preparava suas doses.
Ela se sentia tão bem. Tão feliz. E o seu vestidinho fazia sucesso. Todos a olhavam com aquele olhar de “parabéns, você está linda!”.
Noite adentro. Bebida também adentro e lá estavam elas. Cada uma mais alegre do que a outra. Elas gostavam de tequila.
 Ela já não sabia o que fazia mais. Sua prima havia ido embora. Estava com dor de cabeça. As colegas de estágio estavam sentadas no barzinho que tinha dentro mesmo da boate conversando com dois rapazes e outra amiga delas. Sua melhor amiga estava do seu lado, sempre! Conversando com um rapaz. Ela ia beijar, tinha certeza disso!
E o cara do seu lado insistia em servi-la, mas não, ela não aceitava. Claro!
E o papo foi ficando bom e ela foi adquirindo confiança. E o tempo ia passando e ela não via o quanto a tequila te fazia bem. A essa altura a bebida já passaria a ser cobrada em sua comanda. E como uma gentileza tremenda, ele se oferece a pagar. Ela se sente envergonhada. Insiste, mas ele não desistiu.
E na hora de ir embora, todas divididas. Cada uma para um canto. Todas com sorte! As que passaram a noite conversando no barzinho seriam levadas pelos seus respectivos companheiros. Duas pessoas com caráter invejável. Desejável. Estavam em boas mãos. Eles as deixaram na porta do condomínio das duas e foram embora.
A sua melhor amiga, a que ela tinha certeza que beijaria o cara, havia ido embora de táxi. Ela imaginava, afinal, ela não estava mais ao seu lado. Como sempre!
Não percebeu quando já estava na fila para pagar a conta. Seu dinheiro nem se mexeu. Intacto. Fato. Claro, com aquela companhia, né?
Rumo ao seu carro e sem nem entender ela estava sentada no banco do passageiro. Ele, lindo e inteligente, de motorista. Sua simpatia a convencia de que ela estava em boas mãos.
Sua noite foi um sucesso! Seu vestidinho arrasou! Valeu a pena ter o procurado tanto.
Ela só ria. Tudo que ele falava ela ria. Tudo que ele fazia, ela ria. E até mesmo tudo que ele pensava, ela ria! Ela arriscava dizer alguns de seus pensamentos. Estava uma cena leve e engraçada. Tranqüila e agradável. Para ele e ela, claro!
O carro foi estacionado e ela nem se dava conta de onde estava. Foi deixada em uma cama. Sentia-se uma princesa. Confortável aquele lugar. Um ambiente bastante agradável. Ainda mais com aquela música romântica ao fundo depois de uma balada daquelas.
Era tudo que ela precisava. Um pouco de tequila, uma companhia bacana, um lugar agradabilíssimo e um som que a acalmasse.


(ana lívia)

25 de outubro de 2010

Uma dose de tequila, por favor!

Era como uma semana qualquer. Era uma sexta-feira como as outras. E a vontade de vestir aquele vestidinho, passar aquele batom que ela tanto adorava e dar o toque final com os acessórios, fervia por dentro. O som, no último! Era como um alimento para a alma. Era como a energia para o próprio corpo.
O dia bastante conturbado. Estudos, apresentações de trabalho que a nota lhe aprovaria no ano, estágio e tudo mais. Tudo que uma universitária vivia. Tudo que alguma universitária não viveu.
O seu telefone? Era o objeto que mais lhe acompanhava. Às 4h da tarde ligava para uma, se ela não podia a outra já estava de próxima. Às vezes surgia algum amigo no meio, mas só aqueles que ela sabia que não ia fazer aquela típica rodinha de festa. Onde todos conversam gritando, dançam apertado e bebem desgovernados. Ela só queria uma companhia até a balada. O resto deixava com ela. Era dona de cuidar do recado.
O guarda-roupa se abre e oferece algumas peças, as quais não lhe convinham no dia. Ela queria aquele vestidinho. Calças sendo experimentadas, mas que já avisavam antes mesmo de serem vestidas. "Não vai ficar bom". Mas ela insistia, afinal, onde estaria o vestidinho?
O telefone a interrompe e mais uma amiga confirma a presença. Estava tudo tão perfeito. Sua melhor amiga iria. Sua prima distante ficara de confirmar. E duas colegas de faculdade confirmaram. Fechado! A noite seria perfeita.
Cada uma tomaria um rumo. Cada uma teria seu destino, perfeitamente, direcionado. Se iriam terminar a noite sozinhas, não teria problema algum. O que as interessavam era a festa, as pessoas. O momento.
De volta ao seu estilista, ela pega uma camisete. Isso, daquelas mais compridas que daria para ela usar sem calça mesmo, ou short, ou saia. Só de meia. Ou, sem meia até. Vestiu, se sentiu bem. Mas não gostou.
Resolveu insistir naquele vestidinho que ela sempre tinha vontade de usar, mas que nunca tinha coragem de sair. Lindo! Maravilhosamente lindo! Provocante e delicado. Sensual e justo. Justo ao corpo e justo à sua vontade daquele dia.
9h da noite e ela já havia tomado seu banho, escovado seu cabelo e passado seu óleo pós-banho. Sim, aquele que deixa a pele com um cheirinho agradável e suave durante um bom tempo do dia. No caso, da noite. Ela se mostrava quase pronta.
Ligou para as meninas e combinaram a hora.
- Ok! Passo às 10h então!
- Quer algo emprestado?
- Não, tá tudo tranqüilo. Te dou um toque quando estiver na porta do seu prédio.
Correu para o espelho do banheiro. Ele era o maior da casa. Ela não percebia, mas ele a deixava muito mais bonita. Talvez seriam os olhos mesmo. É, até os olhos brilhavam mais.
A maquiagem estava a ser feita. Bem delicada. Uma sombra com gliter. Um lápis contornando os olhos. Nos cílios, apenas umas máscara incolor. Queria só alongá-los. E conseguiu! Maçãs do rosto pouco rosadas e o batom que ela tanto adorava. Se vestiu. A cor do tecido era rosa. Aquele rosa quase branco, clarinho. Sua pele clara com os cabelos negros combinavam com o charme que ela conseguia esbanjar sempre.
Salto alto nos pés, borrifadas de perfume pelo corpo (preferia nos pulsos e no pescoço),  bolsa em uma mão e chaves do carro em outra. O salto da sandália encontrando com os degraus da escada a deixava ainda mais ansiosa.

(continua - parter 1 de 3)

(ana lívia)

15 de outubro de 2010

Um incidente. Acidentalmente.

E aquela parede que ela mesma havia pintado estava em tons cinza. Quase um preto e branco. Mas antes, era verde, azul, tinha até a cor da laranja, do sol e até mesmo do amor. Aquele vermelho paixão. Era, simplesmente, apaixonada!
A vida construiu nela uma pessoa maravilhosa. Uma energia contagiante. Uma surpresa a cada instante, sempre.
E o quadro da bailarina na posição arabesco. Isso, naquela famooosa posição só a deixava ver duas sapatilhas. Cruzadas. Como se estivessem cansadas de ficar nas pontinhas. No chão. Jogadas.
Aquelas taças de porcelanas ganhadas no último aniversário já não tinham mais o mesmo significado. Uma dizia “Bom dia!”. Era horrível deparar com aquilo e saber que ela dizia o contrário. Grande realidade. Surpreendente realidade. Real. A tristeza. A idade, talvez.
A de “Boa noite!” era agradabilíssima. Sim. Infelizmente, apenas quando tinha suas gotinhas para adormecer. Hum, uma delícia. Nem via. Dormia.
Seus cadernos jogados sobre a escrivaninha, fazendo companhia para a luminária que havia herdado do pai. Um incentivo aos estudos? Talvez. (Óbvio.). Alguns testes e alguns borrões de vermelho representando o seu fracasso nos últimos tempos.
A janela entreaberta e o vento a intrigando. Chamando-a para correr e percorrer o mundo lá fora. O seu mundo. Antigo mundo.
O celular, aquele recém-lançado, já não tinha mais a mesma serventia. Encontrava-se desligado. Para que esperar por algo que não virá?
E o pessimismo sempre a acompanhando.
A única coisa que ela percebia era que seu travesseiro estava sendo seu melhor companheiro. Afinal, o que antes ocupava esse lugar já não pertence mais a esse mundo. Essa realidade.
Ela sofre. Mas ela é orgulhosa. Ela o entendeu. Mas ela o queria de volta. O abraço forte. A risada cínica dele. A caminhada no parque todos os dias e a discussão pelo celular quase todo fim de semana. Ela adorava um barzinho alternativo e, para ele, um violão, seu cigarro e sua amada eram suas melhores companhias.
Ele cansou. Ela o entendeu. Mas ela o queria de volta.
Aquela energia que ela passava já ficara no passado. E talvez, sem intenção alguma para recuperá-la ela teria todos os motivos para retomá-la.
Bem que sua mãe dizia, “O balé te faz bem, filha.”. Bem que ela poderia ter continuado. Aquele quadro esperava pelo próximo espetáculo. E aquele quadro foi a única coisa que restou de seu maior sonho. Não sabia o quão importante se sentia naquele palco. Aquele o qual não a pertencia mais. Não sabia o quão destruidor seria aquele acidente. Incidente.
E aquele quarto escuro, com tons cinza era o único lugar em que ela se encontrava.
E aqueles olhos tristes, sem brilho, era a única coisa que a impedia de ver a sua nova realidade. Triste ou não, ela era real. A idade? Talvez.




(ana lívia)


Só um PS: Eu gostaria de agradecer o Luiz Eduardo que me presenteou também com o selo da última postagem. Ele é dono do A longa estrada..., lá ele deixa alguns textos, textos breves, mas que possuem um significado muito grande para quem se atenta aos detalhes. 
Vale a pena conferir. E mais uma vez, OBRIGADA Luiz Eduardo, de verdade! :)

7 de outubro de 2010

Presente: "Tu Blog es como una flor en primavera"

Muito lisonjeada, muito mesmo, eu agradeço à Vivian Mont'Alverne dona do Blog Vai um cafezinho?. Hoje, ela me presentou com o meu segundo selo.
Uma pessoa que é fascinada por arte. Além de acreditar no amor, ela também acredita nas pessoas. Ama chocolate e deixa com que o sentimento tome conta de si. Uma pessoa que, além de tudo, é sonhadora!
No seu blog ela não aborda apenas um assunto. Ela trata de acontecimentos que passou, de cenas que viu, ou de palavras que ouviu. Seus textos possuem uma variedade imensa. Vale a pena conferir! :)

Para seguir nessa corrente, preciso listar 10 coisas que amo e presentear 11 Blogs com esse selo, então, aí estão:

1. Meu filho
2. Pais
3. Chocolate
4. Amigos
5. Viajar
6. Independência
7. Conhecimento
8. Meu curso (Administração)
9. Vida
10. Domir.

Os blogs:

Estilo Distinto
O mistério da inconstância
Suporte da Mente 
Ego
: .. Beginning .. :
Cantinho da Matemática
Estragando com tudo
O pior Blog de todos
Pnesamentos By Nathy
Pescando na Lua
Thought of a girl :)

E para esclarecer, principalmente, aos homens, não quero que vocês pensem que estou chamando o Blog de vocês de femininos, haha!
É que eu preciso repassar o selo pra 11 pessoas e acho que vocês merecem! :)

Um beijo turma! E até o próximo post! :)

5 de outubro de 2010

Uma troca em fatos reais.

"Querido, sinto tanto a sua falta hoje. Sinto tanta vontade de te abraçar. O seu beijo me deixa uma lacuna. A sua presença me deixa em falta."

Aquele inverno insistia em continuar. Nebuloso. Amedrontador.
Aquela sua ausência me provocava uma angústia imensa. E a única coisa que eu queria era te escrever esse simples verso. Ou melhor, você recebê-lo. E um ‘perdão’ como ponto final, claro.
Afinal, quem teria sido o culpado naquela noite?
Quem seria o irresponsável daquela noite?
Uma noite de verão e a única coisa que você queria fazer era assistir um filme ao meu lado. Lembro-me bem do nome: “A igualdade é branca”. A curiosidade foi tanta, que depois eu o aluguei e assisti. Um pouco sem sentido o seu desfecho, embora merecedor.
Mas naquela noite, eu implorei, supliquei para irmos àquele cover. Adorava a bandinha que ia tocar. Curtia o som, embora você não. E ainda conhecia o dono do bar. Aquele que te pagou algumas doses daquela bebida. Maldita bebida!
E dentre tanta insistências, promessas e julgamentos, lá estávamos nós, no barzinho.
Lembro-me que chegamos às 8 da noite. Alguns minutos depois sentou do lado aquele grupo de amigos. Bando de idiotas!
Eu sabia que você não deveria dar ouvido a eles. 
Eu percebia que o clima estava ficando pesado e que a música perdia seu sabor. 
A porção de batata já se esfriava. 
E a angústia no meu peito fervia, crescia. 
Eu sabia que você não deveria ter se levantado.
Não consigo tirar aquela imagem de você sendo jogado ao chão e se matando para tentar se salvar. Aquilo me machucava. E a única coisa que eu conseguia fazer era gritar, pedindo ajuda. Não consegui. 
Foram alguns minutos que ficaram guardados e fincados no meu peito. Como um punhal mesmo. Rasgando. Ferindo.
Foi até que você mudou toda aquela cena. Uma pena!
E hoje, eu só queria que você não tivesse dado ouvido a eles. Eu torceria para que o Sr. Carlos não estivesse lá (sim, o dono do bar. Ou melhor, o patrocinador). Eu pensaria duas vezes antes de abrir mão de um filme, ou até mesmo de um sofá da sala com você, para ir ver o melhor cover. Ou melhor, pior.
Eu só queria que você não tivesse apertado o gatilho. Muito menos coragem de carregar uma arma consigo.
Eu pediria aos céus que a vítima não fosse ele. E que você não estivesse sofrendo tanto dentro dessa prisão maldita. Não, não por perder algum tempo aí dentro. Mas sim, por perder seu irmão. Único irmão. Tão protetor. Tão presente. Infelizmente!
E espero que seu irmão me perdoe. A rosa que eu o daria ainda está aqui, nas minhas mãos. Seca e morta. Vermelha, mas sem brilho.
E espero que seu irmão nos perdoe. Qualquer filme no sofá da sala teria sido melhor do que esse, em fatos reais.

(ana lívia)

30 de setembro de 2010

Relapso.

No PubCoffee, onde eu trabalhava era o lugar o qual ele mais freqüentava.
- Bom dia, querida! Quero o de sempre...
Era a única coisa que ele falava. Mas sem mesmo o uso das palavras ele conseguia me convencer de que estava ali por mim. Para mim. Mas, eu não posso!
Seu olhar para o meu avental. Sua insensata mania de olhar minha boca o condenava.
E assim foi durante 1 ano e pouco. Mais precisamente 1 ano e 5 meses.
E na minha cabeça um martelo, sempre me precavendo do perigo. Eu não podia, nem ele.
- Não quer parar de frequentar esse lugar? Você sabe que será impossível!
E a única coisa que eu recebia dele era aquele olhar dizendo “não”.
Tudo bem. Ele não queria mudar de pub, eu resolvi mudar. Procurei outro emprego e dentro de duas semanas lá estava eu. Trabalhando naquele café. Era um lugar bem xucro, mas acho que a minha vontade de trabalhar numa Starbucks que provocava isso.
No início foi difícil sem a sua presença por ali. Constantemente. Mas acostumei. Precisei pouco mais de um mês.
Pudera eu imaginar que dentro de 2 meses ele estaria ali, novamente. Surpreendentemente lindo ele apareceu na porta.
No primeiro dia, o de sempre. Mas percebeu que o prato não tinha o mesmo gosto de antes. Passou a pedir apenas uma xícara de café. Sem açúcar, ele sempre frisava. Que amargura, não?
Os dias foram se passando e a minha vontade de cair naquela tentação só aumentava. Eu sentia seu cheiro de longe. Isso, em casa mesmo. Eu sentia seu gosto. Eu sentia o mesmo desejo. O seu desejo.
Até que naquele dia ele passou dos limites. Não se conteve no seu platonismo. Muito menos eu na minha meticulosidade.
- Não agüento mais! Te pego hoje depois do trabalho. Deixo-a em casa depois, prometo. Diga que sim, é a única coisa que quero ouvir de você há tempos.
- Tenho outra opção? – perguntei e sorri.
Meu sangue estava queimando por dentro de vontade. Meu coração pulava, forte. Alto. Ele mesmo dizia para eu aceitar. Tá, eu concordei. O coração é quem manda.
- Não, você não tem outra opção – ele disse.
Antes de sair deu aquele sorriso que sempre me desmontava. Ainda consegui mostrar um sorriso contente e angustiante ao mesmo tempo.
Os minutos passaram como horas.
Enfim, avistei seu carro, caminhei até ele, disfarçadamente, e entrei. Vidros escuros e um som bacana. Só percebi que chegamos quando ele diminuiu a velocidade. Parou, abaixou o vidro do carro e pediu um quarto.
Foi tudo muito estranho. Gostoso, mas eu sentia medo. Inesquecível, mas eu num queria nem pensar nas conseqüências. Os minutos ali passaram de forma deliciosa. Foi tudo tão perfeito, tão magnífico. E eu estava deliberadamente apaixonada. Entregue. Ele conseguiu me completar. Infelizmente. Já não sei mais o que pensar. Já não sei mais entender o proibido. Não sabia mais se me sentia feliz ou desesperada.



Foi pouco tempo, mas suficiente para eu perceber que nem sempre o coração é quem manda. E que o arrependimento é a dor mais avassaladora que eu já senti. E se ela ficar sabendo, eu só espero que me perdoe, porque amizade como a dela eu jamais encontrarei. Embora momento como aquele eu jamais terei.

(ana lívia)

28 de setembro de 2010

Novo mundo novo.

     Eu queria ter a inspiração que eu tinha aos meus 18 anos. Postava num fotolog. Depois, numa página chamada Orkut. Raro alguém que não tinha. Posteriormente, passei para um blog. Aparentemente atrativo. Era bem legal. Perdia horas e horas lendo textos. Mas para construir o meu, gastava pouco.
     Queria ter a felicidade de quando tinha 5 anos, 7 anos também, quando ganhei minha primeira bicicleta. E alguns arranhões, claro.
     Aquela disposição quando ia para o trabalho era algo que me preenchia. Dia a dia. Noite a noite. Adorava trabalhar com o clarão da lua. Sim, escritora era um hobbie. Trabalho mesmo era quebrar a cabeça com o que houve de errado no dia. A empresa era enorme. Os funcionários eram muitos. Gastava-me muito. Me sentia gastada. Estou gastada. Mas confesso, ali era minha segunda casa.
     Mas o que eu queria ter mesmo eram os amores dos 20 anos. Dos 30 também. Ahh, como era maravilhoso! Um sorvete tornava o melhor programa da semana. E um cinema quando ele não podia era entediante.
     Passeios com os filhos era o que eu mais gostava. Aquele passeio nas pracinhas, no quarteirão empurrando o carrinho de bebê. Aquele outro passeio do tipo parque de diversão. Eles cresciam como uma sementinha de girassol. Daquelas que procuram o sol e se viram para ele. Tinham um brilho incomparável. Admirável. Sim, sou suspeita porque vieram de mim. Aquele passeio depois de suas faculdades. Aah! O fato de eu caber nos seus programas era ótimo. Me completava. Eu me sentia tão jovem. Tão “na moda”. No estilo. Cada estilo, viu?
     Saudade eu tenho das viagens feitas com eles para o litoral, para o interior. Para um passeio qualquer numa fazenda alheia. Hum, aqueles passeios! E ainda tinha os netos. Umas belezuras. Bastavam sorrir e eu me derretia.
     Chá da tarde com as amigas. Isso já aos 50. O que mais gostávamos era de ouvir os passarinhos, o vento cantando com as folhas das árvores. No jardim de alguma de nós. Quando era na minha casa, ficávamos perto do balanço que tinha perto da mangueira. Elas adoravam levar algumas mangas para os netos. Me arrisco a dizer que algumas tinham bisnetos. Não me lembro.
     E parece que tudo não passou de um sonho. Pessoas importantes sempre a disposição quando se tinha uma pele lisinha. Pessoas que “diziam” me achar importante.
     Pessoas magníficas ao meu lado quando eu podia providenciar um churrasquinho. Por minha conta mesmo. Fazia questão apenas da presença de cada. Ah, era tão bom!
     O que me resta são as lembranças. Os papos com a Dona Maria. Ta bom, não temos uma diferença tão grande de idade. Reformulando. Os papos com a Maria é o que mais me contenta durante nosso banho de sol.
Uma pena o chazinho não ser mais como antes. A sombra da mangueira não me fazer mais companhia. Nem ao menos um passeio. Incomunicável com o mundo lá fora. Velho mundo.
Mas o que eu mais gostaria de ter por perto eram eles. Tão importantes. Tão presentes sempre. Por que será que isso aconteceu? Me disseram que foi por vontade deles. Mas acredito que não. Sempre fiz de tudo ué. Não, não. Isso não. Jamais.
E o que eu mais gostaria de contar-lhes é que eu estou aqui. Feliz, mas poderia estar mais. Aqui todos me tratam bem, mas eu gostaria de amor fraternal. E espero que um dia eles recebam esse comunicado. Eu sinto saudades, na verdade, deles, meus filhos.



Preciso parar por aqui. Horário do banho. Aqui é tudo tão organizado. E ainda me diziam que asilo era coisa de louco.




                                                          (ana lívia)

25 de setembro de 2010

Mais um símbolo do reconhecimento: o selo!



    Só explicando o título, os primeiros símbolos de que vocês reconhecem o que faço são as visitas de vocês, os comentários e quem me segue. =)

    Mas então, hoje recebi meu primeiro selo. E claro, não poderia ser diferente. Vou desejar esse post para a minha grande amiga Mayara. Sim, a que me presenteou! :)
    Uma garota de 14 anos, nascida no norte do país, morou, posteriormente, no Sul, e hoje é residente em Vitória. Ela gosta de Lebron James, mas odeia basquete. Ela defende quem ama Jonas Brothers, Demi Lovato, Dudu Surita, ou qualquer um desses meninos que possuem o mesmo estereótipo. 
    Assim como todas as meninas da sua idade, adora pintar as unhas coloridas, se prende a um shopping muito fácil, (compras, ah! compras! haha).      
    Além disso tudo, ela ama ler. Vai de Suzanne Collins a Giorgio Faletti. E como consequência de um grande leitor, ela escreve muito bem. Vale a pena conferir!
Em seu blog, Recordando Palavras  ela trata de assuntos pessoais, como sua história de vida. Trata de livros e filmes também. Espero que gostem!



Indique para 10 blogs caso queira participar. E não esqueça de avisar aos blogs sobre o selinho.
Então, seguindo o ritual, aqui estão os 10 Blog's, os quais acho que merecem recebê-lo:



Eu sei que são para 10 pessoas que eu devo mandar, mas como o Blog do Diego Dias recebeu este mesmo selo, resolvi não mandar para ele. Mas confesso que adooro ler seus textos e quem tiver curiosidade, aqui está: O pior Blog de todos!
É isso, galera!

Obrigada, mais uma vez, à Mayara.


(ana lívia)

23 de setembro de 2010

Óh, benditas quitandas!

Assim como todas as manhãs, eu acordei às 5. Uma xícara de café e algumas bolachinhas. Daquelas de água e sal. Uma delícia. Era o que tinha. Quando tinha aula de música depois da aula, ainda conseguia um copo de leite batido com ovo. Para dar sustento. Afinal, chegava quase 3 da tarde em casa. A perua demorava muito, às vezes.
Alguns olhares do meu tio me desafiavam a perguntar o que estava acontecendo. Ódio talvez. Não fiz nada. No máximo cantei duas músicas de ninar para a Sofia, a boneca que mamãe me deu. Mas, seria possível?
Enfim, fui para a porteira e fiquei esperando o “tio” Camilo (sim, o motorista da perua) passar para me pegar, e posteriormente as outras crianças da vizinhança.
Lá tinha pouco gado. Nessa hora ele estava confinado.As galinhas ainda dormiam. E o Mingau, o gato da tia Madalena debaixo do banco de madeira. Dormindo, para variar. Mas ouvi passos, lentos. A grama sendo amassada e soltando alguns sussurros. Não me contive, olhei para trás. Lá estava ele, o João. O tio João. Desde os quatro anos eu lidava com aquela cena. Frequentemente.
Meu coração me impulsionava para correr. Mas minhas pernas temiam e tremiam. Não podia. Prontifiquei-me à sua frente: “O que foi, tio? Esqueci algo?”
E mais uma vez ele me deu aquele abraço, o qual ele sempre me dava quando a tia Madalena ainda dormia.
Penso que ele estava querendo me dizer algo, mas o furioso motor da perua do tio Camilo gritou antes.
A estrada nos guiava e dentro de 1 hora de 20 minutos eu já estava na escola. Tia Jacinta sempre na porta para nos receber. Com aquele sorriso encantador e aquela voz. Ai, aquela voz!
Aquele pequeno sininho tocara. Infelizmente. Não, já não era mais o intervalo. Estava indo embora. A perua já esperava e as outras crianças também.
- O que foi Maria? – tia Jacinta me pegou no colo e me perguntou.
- Nada tia. Posso ficar aqui na escola hoje?
Silêncio. Aquele olhar triste da tia Jacinta. Ela sabia o que eu passava.
De volta para casa. Encontrar o tio João. Tão bravo. Tão grosso. Tão impaciente. Nojento, horrendo.
Meu quarto me chamava e a porta pedia para ser trancada.
Batida na porta. Nessa hora, minhas pernas imploravam para não se mexer. Meu coração chorava. Gritava.
Ao mesmo tempo em que abri a porta, já me via jogada na cama. Parecia um furacão. Sempre me batia. Parecia um ritual. Enquanto me batia seu suspiro profundo no meu ouvido me enojava. Parecia que gostava daquilo. De ver meu sofrimento. Engraçado que ele fazia “silêncio” com o dedo. Quando eu ousava soltar um resmungo, ele tapava minha boca.
Não sei como era ao certo. Eu sei que ele sempre fazia isso. E nisso, tia Madalena na vizinha levando suas quitandas. Ela sempre me apunhalava pelas costas quando saía. Ele sempre tendo prazer quando ela saía. Óh, benditas quitandas!
Quando ele se cansava vestia a calça. Amarrava o cinto, o qual já nem tinha fivela. E saía.
Deixava-me ali, apenas 9 anos de idade prostrado na cama. Lembrando que 4 de felicidade, com meus pais, e esses últimos 5 assim. Com o corpo ardendo. Engraçado que eu nunca soube onde doía. Minhas pernas doendo. Acho que era o ângulo o qual ele, o tio João, as forçavam. E meu coração?
Continuava gritando. Mas rouco. E sangrando.
Eu só queria que ele me amasse como prometeu ao meu pai antes de falecer.
Eu só queria que ele pensasse.

 Eu só imploraria para que ele parasse.


(ana lívia)

21 de setembro de 2010

Aos 16.

- Alô? (...) Sim, ela mesma. (...) Chama-se João Fernandes. (...) Ahn? Como assim? Que horas?
“Não pode ser...”. Voz fria, triste; mãos gélidas, trêmulas; coração doendo, sangrando.
Não acreditava que aquilo estava acontecendo. Não podia permitir que se tornasse verdade um fato que para ela era inacreditável.Sem ao menos perceber, já desligara a chama do fogão e pegara as chaves de casa. Porta afora, lá estava ela. Nas ruas. Sem se deixar lembrar que a porta da sua humilde casinha ficara aberta, que o seu celular estava sobre o colchão, naquele quarto grande o suficiente para caber todos os móveis da casa. Ou quase todos. Não sabia, mas no celular havia um lembrete, uma mensagem, uma ligação perdida. Não sei.
Caminhando em passos lentos e o que lhe fazia companhia era apenas a solidão lado a lado com aquela dor que estraçalhava seu interior.
“Como pode ser?” – era o que se perguntava. “Não, não podia ser.” – sua melhor resposta.
Sem querer pegar o caminho do hospital, seus passos a guiava para lá. Sem ao menos imaginar como seria viver com aquela ausência, ela se sentia sozinha. Literalmente, a pé nesse novo mundo.
Amor como aquele, ela não teria igual. Já estava com 16 anos e a única coisa que queria era viver com ele, ser feliz com ele o ajudando como e quando precisasse.
Cabeça baixa, dor interior, choro incessante e lágrima no olho. Uma única lágrima que escorria. Era árdua.
De repente, cabeça erguida e seus olhos conseguem alcançar algumas letrinhas em vermelho. Num prédio branco. Duas entradas, ou três. Hospital São José. Lá estava ele.
Uma punhalada forte é sentida no peito. Mas ela era forte e precisava entrar para reconhecê-lo.
- E então? – Foi o que perguntou o enfermeiro ao levantar um pano branco e sujo que estava sobre seu rosto.
Era ele! Não acreditava! Seus olhos não conseguiram conter as lágrimas, mas não soltava nenhum som. Enquanto isso, os olhos dele permaneciam fechados. Intactos. Sua boca também. Infelizmente, não podia nem ouvir o último “Eu te amo” que ela sempre se deliciava em seu aniversário, no Natal assim como nos dias comuns. Os mais comuns.
- Sim, é ele! – Com muita dificuldade ela conseguiu responder. Embora não precisasse. Seus olhos, seu sentimento, seu coração já dizia tudo.
Seus passos mais lentos ainda, iam em direção àquela casinha, que antes era aconchegante e que perderia o brilho. Perderia todo o encanto. Perdeu o encanto.
Sua vontade era caminhar mais, mais e mais. Para esquecer tudo. Esquecer a dor e lembrar apenas do seu sorriso, aquele o qual a deixava imensamente feliz. Ela tinha apenas 16 anos. Ela precisava dele ainda. E muito.
A porta ainda aberta a convida para entrar. No fogão, aquele prato simples que ele tanto gostava de comer e que o esperava. E no colchão, o seu presente de 15 anos. Seu celular, mas com uma mensagem: “Filha, eu te amo muito! Estarei sempre contigo, você sabe. Papai.”
E a única coisa que sobrou dele, além das lembranças, era a certeza que aquele sim era um amor verdadeiro. Como ela o ama.

Como ela o amava.

(ana lívia)

18 de setembro de 2010

Adeus, meu adeus!

- Cheeega!
- Sim, chega. Farei o que você sempre quis que eu fizesse!
Alguns segundos, um gole d’água. E continuou, com apenas uma palavra: “Adeus!”.

Mão no bolso, chave do carro na mão. Passos largos e rápidos.
Batida de porta. Aceleração forte e o ronco do motor foi o último som que ela sentiu, a poeira foi a única coisa que ela ouviu e o intenso doce-amargo no peito foi o que ela viu.
Quanto à lágrima no rosto, aquela, foi a primeira que ela sentiu. Doía.
Sim, ela não sentiu nem o tato da lágrima escorrendo pela face. Seus sentidos estavam trocados e sua mente uma bolha de pensamento.
No olhar, apenas a esperança daquilo tudo ser mentira ou até mesmo daquele carro voltar.
Foi quando ela percebeu que aqueles anos seriam jogados ao ar, ao mar. E o vestígio o vento ficaria encarregado. O tempo. A dor e o desespero. A raiva e o ódio. A indiferença e o desprezo. Casais. Recém-casados e que incrementavam aquele árduo momento.
Um casal se fora. Já era!
Sentiu como se queimasse o peito. Sua vida? (...)
Virara de costas. Passos curtos e vagarosos. Temerosos.
Vento forte no rosto. Aceleração forte e o alerta do motor foi o primeiro som que ela ouviu, a poeira foi a única coisa que ela viu e o intenso doce-amargo no peito foi o que ela sentiu.
O pingo d’água no rosto? Era a chuva que estava por começar.
O brilho no olhar? Era a certeza de que ele estava de volta, o seu amor.
 
- Eu não posso!
- Eu adoro sua voz!
- Te amo!
- Eu também te amo!

Sentiam o gosto do abraço, enquanto se deliciavam com o cheiro e se desmanchavam com a força do beijo. Seus sentidos estavam trocados e sua mente uma bolha de pensamento.


(ana lívia)

14 de setembro de 2010

Amor, meu ex-amor.

O papo estava bom e a água do riacho insistia em chiar no nosso ouvido. Um som bom. E natural. Um comentário a mais sobre o barulho de uma semente que caía ao nosso lado. Um comentário a menos sobre o cantarolar do pássaro que eu amo e ele não suporta.
O silêncio sempre reinava entre a gente. Mas o dia estava bonito. Muito bonito, por sinal.
Algumas nuvens insistiam em se transformarem em animais, comidas ou até mesmo uma ameaça à fisionomia de algum conhecido. Conhecido meu, conhecido dele, conhecido de ambos, não sei.
E por um motivo qualquer eu esperava por aquele beijo. Aquele abraço. Esperava sentir aquele perfume, perfume que era só dele. E aquele cheirinho que eu sempre sentia quando estava sozinha, com medo. Talvez me sentisse segura com ele ali. Isso, com o cheiro.
- Eu senti sua falta.
E mais uma vez o silêncio, vindo dele, reinou. Mas dentro de mim havia milhões de vozes, e pior que isso, gritando. Mas eu me contive por algum momento.
Talvez seu jeito de olhar para o horizonte me expressava algo que eu não queria notar. Algo que me doía antes mesmo de ter certeza.
Além do seu silêncio, que me causava medo, as nuvens começaram a tapar o nosso brilho do dia. Não, não era o sol. Afinal, ele estava se pondo ou as nuvens o tapava? Não tinha ao menos vontade de erguer a cabeça e se atentar aos detalhes.
Aquele silêncio.
- Não me olhe assim...
Foi a única coisa que ouvi durante todo aquele tempo. Lugar onde eu tinha apenas a sua companhia. Momento essencial para ouvir o que queria e dizer o que não queria.
Ele se levantou, pegou sua mochila, o tênis e sua carteira de cigarro. Aquele olhar lançado a mim de “quero ir embora” me obrigou a ter alguma atitude.
- Vou me vestir, vamos?
Enquanto acendia seu terceiro cigarro dentro de quinze minutos, eu vestia minha blusa branca sobre o biquíni molhado. Pés no chão, algumas pedras tentando me agredir pelo pé, mas não era nada comparado ao que eu sentia.
Passos lentos. Barulho de cascalho. E um som fúnebre que antecipava a solidão.
E no fim, aquele momento só serviu para ouvir o que eu não queria e dizer o que eu queria. Sim, aquelas palavras foi a última coisa que eu fiz e que não me arrependi.
- Eu vou te amar para sempre, meu ex-amor!


(ana lívia)

9 de setembro de 2010

Café, cigarro e o silêncio.

Vi a porta aberta e entrei. Um piso um pouco sujo, uma sensação de estar em alguma daquelas cenas de Paris, Texas ou até mesmo de Estrela Solitária. Sentei.
A cabeça estava ali, mas o pensamento vagava pela poeira daquele pôr-do-sol. Imaginava estar ao lado de alguém que cantasse algo, ou dissesse algo bonito. Poesia? Talvez não.
- Posso te ajudar?
- Creio que não. Obrigada!
Uns passos lentos e o som do toque da sola do sapato ao chão se distanciando. Privacidade, que bom! 
A única coisa naquele momento que me satisfaria era uma xícara de café, e quem sabe um cigarro. Mas preferi ficar no silêncio do meu pensamento.
Um ou outro olhar me cutucava pelas costas. Apenas olhares, nada mais que isso.
Foram apenas alguns minutos ali. Mas o relógio estava com pressa. Foi quando percebi que a fraca claridade que estava a me aborrecer se fora. Pela vidraça apenas a imensidão da escuridão. Ou não.
Foi quando a porta se abriu. Um cheiro bom. Vanguart tocando ao fundo. E aquele esbarrão no meu pé que insistia em ficar jogado no estreito caminho que tinha.
- Oi...
Foi a única coisa que eu ouvi até perceber que aquele cheiro bom era uma mistura de café com uma leve fumaça de cigarro.
E assim se foi mais um dia, naquele barzinho estilo faroeste que eu adorava ir quando além de estar, eu me sentia sozinha.
Acho que aquela foi a melhor companhia para o meu silêncio que insistia em me acompanhar naquele dia.

(ana lívia)